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sexta-feira, 24 de maio de 2013

Monólogo a dois







"I like baking and things that smell like winter,

But I'm not gonna talk about that,

In my monologue"
(Monologue Song)





Sabia que amaria. Quando vi os olhos, e eles me mostraram a alma, já amava. Passaria a amar a franja deixada de lado, os óculos - moldura para os olhos – janela e o riso torto nunca lhe pareceu tão certo.  Por vezes frouxo e sonoro, ecoaria dentro de mim, outrora vazia. Amaria o busto que conserva o coração enorme. A barriga que se tornaria tela branca para meus dedos. Os braços que formam, no abraço, meu maior abrigo. As mãos – luvas de seda, que me tocariam por dentro. As pernas – pontes que caminhariam em minha direção. Os pés – fundamentos que nos dariam apoio. Amaria o suor que correria por esse corpo, virando mar e, numa onda, me banharia. Deixando apenas aquele sentimento de estar bem; de quem toma banho de chuva de verão. Amaria o sangue que, mesmo tão nobre, é dado sem medida por aqueles que ama. Sim! Sabia que amaria. Só que não sabia que este sangue seria misturado ao seu, que este suor seria o seu, que este corpo seria o seu, que a alma seria a sua. Não sabia que deixaria de lado todas as “facetas” para ter uma nova face. Pedaços podem formar um amontoado, mas nunca um todo. Foi quando descobriu que, na verdade, não sabia de nada. Poderia ter tirado essa conclusão antes, mas o mestre não falou tão alto quanto o seu encanto. Agora percebe que não soube, nem poderá saber. Apenas sente. E sentindo vai.


Enquanto Tiver Ar.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Como uma sacola a voar...

Livre pelo céu. Se olhar para o alto poderá vê-la. Terá que correr e saltar para alcançá-la. E dirão que não é alto o suficiente. E dirão que não dá. Mas o vento sempre irá mudar. E quando menos esperar, será um tempo bom para mudanças. 
Abra a janela, veja a sacola a bailar no ar. Você entende que a fragilidade que você teme é o que a faz ir mais alto? Deixe-me pular. Os ventos estão mudando. Consegue sentir?


Good times for a change 

See, the luck I've had 
Can make a good man 
Turn bad 



So please please please 
Let me, let me, let me 
Let me get what I want 
This time 




Haven't had a dream in a long time 
See, the life I've had 
Can make a good man bad 




So for once in my life 
Let me get what I want 
Lord knows, it would be the first time 
Lord knows, it would be the first time

(Please, Please, Please, Let Me Get What I Want- The Smiths)

domingo, 2 de setembro de 2012

L'autunno


Logo, logo, será primavera novamente.


Beijo estalado, brigadeiro na panela, chorar de tanto rir, filme em dia de chuva, abraço apertado de chegada, nota 10 quando menos se espera (e quando se espera também), noticias de além-mar, noticias de cá, desenho no sábado pela manha, mordida de fruta colhida na hora, toalha quentinha, café da manha na cama, sorriso de graça, a cura para aquela dor, lua cheia, almoço de domingo, silêncio durante o livro, atalho no vídeo game, cheiro de velhinho, mão de amigo no tropeção, um oitavo dia na semana, música, muita música... 

Por hora, que venha Setembro. E que as folhas de outono levem os desgostos de Agosto. 

Allegro    
                                                                    
Celebra il Vilanel con balli e Canti               
Del felice raccolto il bel piacere                   
E del liquor de Bacco accesi tanti                  
Finiscono col Sonno il lor godere   
               
Adagio molto 

Fa' ch' ogn' uno tralasci e balli e canti          
L'aria che temperata dà piacere,                  
E la Stagion ch' invita tanti e tanti                  
D' un dolcissimo Sonno al bel godere.           

Allegro 

I cacciator alla nov'alba a caccia                      
Con corni, Schioppi, e canni escono fuore     
Fugge la belva, e Seguono la traccia;               
Già Sbigottita, e lassa al gran rumore              
De' Schioppi e cani, ferita minaccia                  
Languida di fuggir, ma oppressa muore.  

(Antonio Vivaldi - As quatro estações: Outono)



segunda-feira, 5 de março de 2012

Caminhando e Cantando

Viu a lua ao dobrar a segunda esquina. Sorridente. Amarela. E parecia lhe acompanhar, iluminando seu caminho. A rua de pedra ainda estava molhada. Uma chuva pesada, mas rápida. Destas que lhe impedem de caminhar, porém limpam toda a sujeira do lugar. Já não havia muita gente na rua. Muitos desistem de sair ao ver os primeiros pingos de chuva.
_ O que vem depois do fim?
_ Um novo começo.
_ E como vai ser este começo?
_ Não sei, mas iremos descobrir.
Continuaram a conversa em silêncio. Palavras agora não importam. Já não tem o peso de um sentimento. Se é que tiveram um dia...
Estava quente. Pôde sentir o cheiro das flores na esquina seguinte. Elas sobreviveram a chuva. Na verdade, pareciam mais vivas. A terra ao seu redor havia sido encharcada, escorrendo para os lados, perdendo um pouco de si. As flores suportaram a mesma chuva e permaneceram em seu lugar. Com o calor, toda aquela umidade se tornaria orvalho; vida.
Alguém abriu a janela. Um gato cinza pulou do muro e sentiu-se incomodado com o chão molhado. Primeiro levantou a pata esquerda e balançou, depois passou a língua na pata. Jeito estranho de secar. Do outro lado da rua estava a praça, é para lá que ele estava indo. Os bancos ainda estavam molhados... De todo modo, sua intenção não era sentar. Ao passar sob as árvores sentiu gotículas caindo em seu rosto, com cheiro de folhas e talos. Um cheiro de chá tomava a praça. Não era doce, mas calmante. E na esquina seguinte estava a lua a sorrir.
_ Você consegue ouvir?
Andavam lado a lado, em completo silêncio, já havia uns minutos.
_ Consigo.
Alguns momentos eram assim. Não precisava perguntar “o quê” ou “por quê”. Não precisava ser dito. Para entender bastava sentir.
                Ventou. As árvores balançaram, o gato correu, as flores tremeram, um pequeno pedaço de papel passou na sua frente. Mas não viu nada disto. Distraiu-se com a música.
Continuaram caminhando, sem trocar nem uma palavra. Apenas ouvindo uma música que vinha de longe ou que acabaram de inventar, sentindo o que mais ninguém entenderia.
E quem olhasse diria que havia uma pessoa caminhando, com passos calmos e os olhos no céu. Já sabia que mais ninguém entenderia.



"isso de querer ser
exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além"

( Paulo Leminski )

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Lista de ano novo para todos os anos

Neste ano eu quero um gato, andar a cavalo e que meu peixe não morra. Quero que todo dia seja o oitavo dia da semana. Prometo dirmir mais e dormir menos. Comer o máximo de algas marinhas que puder, sem esquecer de reclamar que comi muito.
Neste ano eu quero reconhecer tudo que eu não posso fazer e fazer tudo que posso. Neste e nos próximos...


Não pude aprender sem errar.
Mas pude aprender e saber o que esta em jogo, para não errar mais.
Não posso deixar de sonhar com você.
Mas posso continuá-lo toda vez que acordar.
Não posso esquecer o que passou.
Mas posso construir lembranças melhores, com você.
Não posso trazer a lua toda vez que você quer vê-la.
Mas posso lhe descrever a lua mais linda, até que a veja.
Não posso fazer com que o clima seja dois ao mesmo tempo.
Mas posso tentar que sinta apenas frio ou calor.
Não posso tornar as coisas mais fáceis.
Mas posso esperar até chegar o dia que não doa tanto.
Não posso consertar todas às etiquetas.
Mas posso contar com você para consertar as minhas e eu consertarei as suas.
Não posso fazer parar de coçar.
Mas posso segurar suas mãos até que passe.
Não posso dizer que não aconteceu.
Mas posso dizer que não vai acontecer mais.
Não posso avisar toda vez que estou prestes a dormir.
Mas posso lhe dar boa noite mesmo sem falar, pois você é meu ultimo pensamento do dia e meu primeiro ao acordar.
Não posso deixar de cantar sem perceber.
Mas posso ter certeza que só você vai entender o significado.
Não posso deixar de ter preguiça.
Mas posso ter preguiça só pra “deitar e não fazer nada” com você.
Não posso fazer você esquecer o que escutou.
Mas posso fazer com que não ouça mais aquelas palavras.
Não posso dirigir com você me olhando.
Mas posso tentar... um dia.
Não posso deixar de ver você em todo lugar.
Mas só pode ser por que é impossível.
Não posso deixar de pensar que magoei você.
Mas posso fazer com que isto nunca mais aconteça.
Não posso trocar lâmpadas por estrelas.
Mas posso te levar até onde as estrelas estão.
Não posso parar de me preocupar com você.
Mas posso ficar tranqüila por que sei que você também se preocupa comigo.
Não posso adivinhar de que planeta você veio.
Mas posso te levar de volta para lá.
Não posso deixar de estranhar.
Mas posso saber exatamente o que seria estranho.
Não posso falar com você toda hora.
Mas posso usar telepatia.
Não posso deixar de sentir saudades quando você vai embora.
Mas posso sorrir quando lembro que você esteve aqui.
Não posso lhe dar aquele abraço que faltou.
Mas posso lhe lembrar que ele ainda virá.
Não posso impedir você de fazer o mesmo.
Mas posso sentir o aperto no peito, toda vez que lembro disto.
Não posso deixar de pensar que o tempo é pouco.
Mas posso aproveitar cada minuto com você.

Posso passar o resto da vida escrevendo, mas, mesmo assim, ainda não acabarei a lista. Ainda há tantas coisas que não posso... algumas eu posso... e o mais eu aprendo com você. Seja você me ensinando, seja você do meu lado. Por que as coisas vão melhorar. Ah! Hoje eu já disse que te amo? Não preciso nem colocar na minha lista, porque...

Seja clichê, seja novo, seja único, seja estupendo, seja de uma transparência que eu não sabia que poderia existir. Eu te amo.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Sobre um sonho que continuou

Correndo. Correndo. Correndo… Sem olhar para trás nem para onde ia. Correu na direção do campo. Aonde não havia nada além de trigo, estrelas e uma velha árvore. Antes, afundou os pés na neve do Ártico, esquentou no deserto do México, tingiu com uvas na Itália, lavou em uma chuva na Rússia, ventos do Tibete os secaram, doeram atravessando a muralha da China, mas as águas do Pacífico foram seu bálsamo. Deram-lhe forças para correr até o campo. Eu a vi passar e a chamei pelo seu nome. Não sei se escutou, pois não olhou para mim. Apenas continuou correndo.
Apenas dissolvendo quem eu sou para poder ver do que sou feita. Só e só assim para descobrir qual o meu nome.
         Lá ela parou. Olhou para o chão e depois para o céu. Uma noite sem lua e sem nuvens. Nada separava o céu da terra. Passado, presente e futuro se confundem. Dizem que seu passado molda seu futuro. Eu não acho. Mas no que ela estará pensando? Fecha os olhos para não ver ou para finalmente enxergar? Seu rosto não tem expressão. Será que sente?
Corroído foi o que não era para ser. Corroído foi o que teria de ser.
         Levantou os braços para o céu. Seus olhos se abriram e um oceano com eles. O vento balançava o campo e tirava os cabelos do seu rosto. Sentia o ventou frio na pele? Com metade do corpo coberto pelo trigo, parecia ter crescido junto a ele. Rasgando a terra e lutando para subir. Seus dedos quase tocavam a estrela vermelha.
Arrancados foram os olhos para reaprender a ver. Puxada foi a pele, para expor a carne e os ossos. Não limpei, não lavei, não cobri com algo bonito e brilhante. Eu desfiz para me refazer. E agora será meu futuro que dirá quem eu fui.
            Suas mãos estavam feridas. Seu rosto marcado. Será que sentia a dor?
Não podia ver nem ouvir ou falar, mas ainda sim sentia você me chamar. E só você sabe meu verdadeiro nome. Só você sabe onde me encontrar.
         Um passo atrás do outro, caminhou sem pressa, na direção da velha árvore que insistia em existir. Evitou pisar nas flores que estavam ao redor, porém, se queria chegar lá, era impossível. Sentou e encostou-se no seu largo tronco. Olhou mais uma vez para o céu. O vento balançava os galhos em sua direção. Pareciam lhe abraçar. A lua não apareceu, mas desta vez era melhor. As estrelas brilhavam mais.
Coloquei-me nua diante do espelho. Aproximei-me sem ter medo do que via. E lembrei que cor meus olhos têm.
            Ficou de pé. Lentamente para um lado, suavemente para outro. Como podia haver música ali? Mesmo assim a ouvia cantarolar.
Sem veias, sem corpo, só me resta sentir.
         Dançava como se houvesse nascido para isto. Pintava o céu, orquestrava o vento, sua música fez a velha árvore florescer.
Agora me refaço. Não recolho os pedaços porque eles já nem existem mais. Pedaços é para quem não é por inteiro. Faço-me do novo. Do que está por vir. Do que ainda vou conhecer.
         Peito ofegante, cabelos desgrenhados e uma solitária gota de suor descia pelo seu pescoço. Não ia demorar para o sol nascer. Deitou no chão, esperando o céu mudar de cor.
E tudo que pude ver no espelho você já tinha dito que estaria lá.
Sorriu. E foi o único som que se podia ouvir naquele momento. Virou-se por cima do seu ombro, em uma posição que parecia bem desconfortável, mas esta era a última coisa que sentia ali. Antes que eu pudesse pensar em mais alguma coisa, me disse, ainda sorrindo:
_ Eu ouvi você chamar meu nome. E agora sei o que quer dizer.
         Uma chuva de estrelas caiu nesta hora. Poderíamos fazer todos os pedidos que quiséssemos, mas não havia mais nada a pedir.
_ Você sabia que estamos sonhando?
_ Sim.
_ Não se importa?
_ Não. Eu vou acordar, o céu já terá mudado de cor, não haverá mais estrelas, mas você estará do seu lado.

          Atrás de mim ela podia ver as luzes distantes da cidade, prestes a apagar e deixá-la sem cor. Mas eu lhe guiarei até lá.







*Mercedes Lullaby (JAVIER NAVARRETE) 
*Beautiful feeling  ( PJ HARVEY )

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Duas sombras. Uma alma.

          Deram as mãos. Com o pôr-do-sol atrás de seus corpos, caminhavam olhando para suas sombras. Ele com passos lentos e longos. Ela com passos curtos e apressados. Mas seguiam lado a lado, como se caminhassem com as mesmas pernas. Ele olhou para a sombra dela e pensou em todos os lugares que ainda passaria. Ela olhou para a sombra dele e admirou a sua grandeza.
        Caminhavam calados. Ambos eram assim... Conheciam bem as palavras. Ela pelo prazer de descobri-las, ele pela experiência que tinha. E, por conhecê-las tão bem, os dois sabiam que nem sempre precisavam usá-las; tinham mais força quando não eram pronunciadas. Segredos só deles, compartilhado pelo silêncio, selado com um sorriso. Ele olhou para a sombra dela e lembrou que um dia não a veria, não pegaria em sua mão, não ouviria seu silêncio. Estreitou os dedos, doeu o peito. Todos os dias o mesmo percurso, os mesmos passos, as mesmas mãos. O desejo era de eternizar o pôr-do-sol, no entanto as sombras se alongavam e logo seria noite. No fundo ela sabia. Queria logo chegar em casa. Com todas as luzes acesas, vai parecer que ele estará lá para sempre. A luz continua diminuindo e suas sombras ficam cada vez mais parecidas. Exceto pelo tamanho, claro (ela ainda tem muito a aprender).  Para ela, ele sempre será grande. Para ele, ela sempre caberá em seus braços. Mesmo quando não estiver mais para abraçá-la.
            Quando houver apenas uma sombra ela sentirá sua falta. E caminhará até que o sol se ponha. Mas sentirá que não está sozinha.




"Devemos ouvir o silêncio não  como um surdo, e sim como um cego." (Fernando Sabino)

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Plagiando

I don't care if Monday's blue
Tuesday's grey and Wednesday too

 Friday I don't care about you
it's Thursday I'm in love

Monday you can fall apart
Tuesday Wednesday break my heart
  Friday doesn't even start
it's Thursday I'm in love

Saturday wait
and Sunday always comes too late
but Thursday never hesitate

I don't care if Monday's black
Tuesday Wednesday heart attack
Friday never looking back
it's Thursday I'm in love

Monday you can hold your head
Tuesday Wednesday stay in bed
Oh Friday watch the walls instead
it's Thursday I'm in love

Saturday wait
and Sunday always comes too late
but Thursday never hesitate

armed up to the eyes
it's a wonderful surprise
to see your spirit rise
throwing out ugly faces
and just smiling at the sound
and sleek as a shriek the
spinning round and round
Always take a big look
it's such a gorgeous sight
to see you standing in the middle of the night
I could never give enough
enough that you need
but is thursday
I'm in love

Quem sou eu

Minha foto
PE, Brazil
Um constante vir a ser. Seguindo a sombra dos moinhos de vento...